Faz alguns meses que aconteceu comigo um evento no mínimo curioso: a chegada para entrevista de um candidato muito bonito. Não se trata aqui de opinião pessoal, mas da constatação prática de que o profissional tem aquele tipo físico composto por elementos que são considerados bonitos pelo senso comum: rosto simétrico, maxilar quadrado, olhos claros, cabelos arrumados com gel, 1,80 m de altura e por aí vai. Inevitável não pensar na influência que a apresentação pessoal exerce sobre todo o perfil do candidato nas entrevistas e é aí que entra o dado mais curioso: este candidato foi entrevistado para uma posição industrial, que envolve atividades ligadas diretamente à produção. Como imaginar um candidato assim, que passaria facilmente por publicitário, designer, até modelo, comandando uma equipe de chão de fábrica? Esta "dissonância" entre apresentação pessoal e profissão já havia acontecido algumas vezes anteriormente.
Em certa ocasião entrevistei um profissional para uma vaga de Gerente de TI e eu buscava uma pessoa arrojada, criativa, que levasse a empresa a pensar diferente, em dia com o que o mercado oferece em termos de tecnologia. Eis que chega um candidato muito sério, vestindo uma camisa grossa xadrez, com corte de cabelo similar ao das altas patentes das forças armadas. Mais uma vez foi difícil imaginar que aquele profissional levaria a inovação necessária para a área de TI das empresas.
Imagino que no grupo de leitores possa soar o alarme do preconceito, mas o nosso trabalho em seleção é questionar o tempo todo se estamos fazendo a avaliação correta dos candidatos. Em linhas gerais o trabalho de recrutamento & seleção diz respeito a entender muito bem o perfil que a empresa espera e, com base nos depoimentos e na avaliação dos candidatos, imaginar se a pessoa se encaixa naquele escopo. Por mais que tenhamos ferramentas objetivas de avaliação de pessoas (e no momento existem bons instrumentos para isso, incluindo a técnica de seleção por competências), o trabalho de seleção ainda passa pelo viés da subjetividade, incluindo aí: "feeling", empatia, energia e outros elementos abstratos. Por isso a questão da apresentação pessoal fica tão importante.
Independentemente de moda ou de tendências, acredito que seja importante para os profissionais fazer uma avaliação sobre suas características pessoais mais marcantes (que certamente terão impacto sobre sua maneira de se cuidar e de se vestir) e sobre como seria uma boa apresentaçao em sua profissão. Informações desconexas como saia curta e decotes para alguém que vai trabalhar em uma organização formal e conservadora, roupas antigas para uma posição que envolva inovação, só para citar alguns exemplos, são em parte a razão para o insucesso de profissionais nas seleções.
Está na hora de encontrarmos um meio termo entre gostos pessoais e o mercado. Os cuidados pessoais e a auto-valorização do indivíduo não precisam significar necessariamente este desencontro com o mercado. Assim como o mercado também não deve, ele sozinho, ditar todas as regras de apresentação. Assim como tudo na vida, mais uma vez é uma simples questão de equilíbrio!
Até a próxima!
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
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