segunda-feira, 17 de março de 2008

Ask RH - novas perguntas

Olá pessoal,
Agora que o blog está sendo mais divulgado, está na hora de das perguntas chegarem. Trabalharemos neste espaço com as dúvidas de quem está no mercado de trabalho, de quem seleciona e de quem quer manter seu networking e sua empregabilidade em alta.

Um beijão!

domingo, 9 de março de 2008

Rio de Janeiro, uma cidade informal! Mas sem exageros, ok?!

Acontece sempre! Existe uma linha tênue entre simpatia e cordialidade x exagero na intimidade.
Na semana passada a pérola veio de um candidato, sênior, que ao final do telefonema para acertar envio de currículo, provas e outras etapas de seleção, se despediu de mim com um "tchau gatinha!". Mêdo...
Os demais casos frequentes são: "chuchu", "nêm (de neném)", "amor", "querida", "colega", quando não vem "brôu" após um "demorô".
Atenção candidatos, vamos cuidar desta comunicação. Valeu!? (rs)

Leilão - o inimigo número 1 da seleção!

Este espaço é bastante democrático e a idéia é a apresentar com frequência histórias de candidatos, mas também histórias de selecionador. Aconteceu comigo ao longo da última semana. Eu e minha equipe trabalhamos uma vaga destas "normais" (= boa oferta de candidatos no mercado + salário compatível com as exigências) e pudemos contar com 6 candidatos finalistas, um número bom. Qual não foi nossa surpresa quando, nos contatos para agendar as entrevistas finais, já com o gerente da área, que decidiria o escolhido para a vaga, ficou claro que os candidatos estavam fazendo "leilão", no melhor estilo "quem dá mais, quem dá mais!". Parece brincadeira, mas de 6 candidatos, só sobrou 1! É o tal mês de março que tem uma movimentação tão grande de vagas e profissionais, a ponto de todos ficarem meio atordoados.

Alguns diálogos:
Selecionador - "A vaga é estável, você terá chances de crescimento!"
Candidato 1 - " Mas esta prestação de serviços paga mais!"

Selecionador - "Você parecia tão empolgada com esta vaga!"
Candidato 2 - "Mas estava aguardando a resposta de um outro processo, fiquei sem graça de recusar!"

Selecionador - "Você estava muito bem no processo, todos gostaram de você, só falta mesmo esta última entrevista!"
Candidato 3 - "Pois é, foi mal, mas diz a eles que valeu!"

E assim foi, um a um, saindo do processo.
Agora eu já sei (rs), em março é preciso ter finalistas plano A, finalistas plano B, finalistas plano C...

Um beijo!

Março: o mês da "entrevistite"!

Com a economia (levemente) aquecida, março é oficialmente o mês em que acontece a epidemia de "entrevistite". Para quem não sabe, entrevistite é aquela sídrome que faz com que o profissional tenha que chegar mais tarde ou sair mais cedo do seu trabalho atual, supostamente para uma consulta médica, quando na verdade está indo para uma entrevista de emprego.
Nós que trabalhamos em recrutamento & seleção monitoramos o mercado, ao mesmo tempo em que temos o relato diário de um sem-número de candidatos em busca de uma colocação ou de recolocação. Para a pergunta: "como você fez para estar aqui na entrevista" a resposta normalmente é: "disse que ia ao médico".
Os que querem trocar, dificilmente conversam abertamente com seus empregadores, prova de que este mercado é regido por regras próprias. Contar que está no movimento de busca no mercado pode ter no mínimo duas consequências: ou a empresa percebe que está prestes a perder um talento e faz de tudo para reter o profissional, ou aproveita o embalo e já desliga o colaborador, alegando que ele estava realmente desmotivado. Obviamente existem várias outras possibilidades, mas estas duas são bastante comuns.
Na dúvida, quem arrisca? E dá-lhe entrevistite!!!

segunda-feira, 3 de março de 2008

Recolocação x idade (Parte II)

Retomando o assunto da recolocação no mercado e a relação com a idade (muito pouca, pouca, ideal, muita), reforço aqui a crença no que é de fato mais importante: a adequação do profissional à necessidade da posição.

Recentemente recebi a tarefa de "caçar" um Diretor de Marketing. Não foi difícil mapear o mercado e apresentar à empresa meia dúzia de bons profissionais. O mais adequado para a posição (em termos de experiências gerais, domínio dos idiomas exigidos, resultados alcançados nos cargos anteriores) era também o mais velho (tinha por volta de 55 anos). Ele não foi selecionado. Pelo seguinte motivo: a empresa desejava que este novo diretor, no prazo de 3 a 5 anos, estivesse pronto para seguir carreira internacional. O candidato já não estava mais com este "pique". Com filhos criados, netos nascendo, este tipo de mudança não era compatível com seu momento de vida. É um caso isolado? É. Mas exemplifica a questão da adequação da idade em relação ao contexto da posição.

Mais do que a questão da idade, o que está em jogo é um somatório que envolve jovialidade, saúde, energia e disposição. Às vezes um profissional de 45 anos, que pratica esportes, que cuida da saúde, que se mantém atualizado, tem uma empregabilidade maior do que um profissional de 25 ou 30 anos. O mercado quer resultados, quer saber que pode contar com aquela pessoa.

Uma boa dica para aqueles de mais idade que estão fora do mercado e que desejam retornar, é fazer cursos na área (o que além de atualizar conhecimentos permite que se estabeleça uma nova rede de relacionamentos) e buscar trabalhos, não só empregos. Movimento gera movimento e pelo mesmo princípio, trabalho gera trabalho. Hoje em dia já é possível mencionar um trabalho voluntário como experiência profissional. Um profissional de área financeira, por exemplo, fora do mercado por alguns anos, com 6 meses de trabalho voluntário nesta área em alguma instituição séria, aumenta consideravelmente sua empregabilidade. Se sua força de trabalho está sendo últil, o mercado vai se interessar.

O mesmo vale para os jovens que querem ingressar no mercado. Já que até as vagas de estágio pedem experiência, por que não buscar um primeiro trabalho no voluntariado?

Recolocação x idade – uma relação meio complicada (Parte I)


Hoje entrevistei um profissional de 49 anos de idade. A entrevista correu bem, ele é experiente, está “escolado” em entrevistas, soube transmitir seus conhecimentos e sua experiência de maneira bastante satisfatória. Especialmente porque me deu exemplos concretos do que falava e porque contava histórias. Uma boa entrevista é um bom contar de histórias. É basicamente o conjunto de respostas (sem precisar tanto das perguntas) de uma entrevista situacional ou de uma entrevista por competências. (São iguais? São diferentes? Voltaremos a este assunto nos próximos posts).

Em um determinado momento, não pude deixar de perguntar a opinião dele sobre esta questão de recolocação quando se tem mais idade. De cara, ele afirmou: “o mercado tem muito preconceito”. Mas logo foi desenvolvendo o assunto. E aí falou sobre um contador (ele é de área contábil), bem “velhinho”, a quem ele se refere como o “SR. Fulano” de maneira, no mínimo, respeitosa, que teria sido responsável por salvar uma empresa da falência, trazendo-a, ao contrário, a um estado de boa saúde financeira, graças a seus conhecimentos em Contabilidade Geral e Fiscal. Este “velhinho”, segundo meu candidato, trabalha até hoje como consultor da empresa em questão e vive muito feliz com sua profissão.

Tendo refletido longamente sobre a questão da idade no mercado de trabalho, este tipo de relato cala algumas inquietações. Uma das conclusões que tiro é: pessoas muito competentes em suas áreas acabam sendo indispensáveis! Não importa se a empresa está passando por reengenharia, downsizing, o que for, se o profissional é de fato insubstituível (dois mais jovens não darão conta daqueles resultados, ou um mais jovem mais sistema integrado), dificilmente ele será descartado. Ele pode até perder o “emprego”, este vínculo formal tão caro tributariamente para as empresas. Mas provavelmente não perderá seu trabalho.